quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Memória Qualquer

Mais uma primavera se completa e as pétalas se abrem para a luz do sol . Passeando pelo jardim de nome qualquer, sento em meio de rosas, que com seu perfume, me remetem memórias .
Lembro-me muito bem, de quando tudo era claro em céu de cor anil, quando os braços se entrelaçavam dentro de um abraço, quando as bocas se contorciam ao tocar uma na outra, de quando o olhar brilhava ao lembrar de um alguém em especial .
Ao olhar ao céu, vejo o anil em um momento cinzento, acho que o céu vai chorar . Me levanto da grama e sento debaixo de uma árvore .
Vendo os pingos de chuva caírem e perfeita sinfonia, lembro do barulho que fazias quando entrava em minha cabeça em pontas de pés, para não me acordar, mas sempre sentia teu perfume de jasmim e despertava para ver seu sorriso iluminar meu quarto .
É dia de domingo, o relógio bate as 18 horas e a multidão na porta da capelinha começa a se reunir. Paro de frente para o padre e começo a ouvir palavras de uma sabedoria construída por um homem, que nunca vimos, mas que exaltamos e amamos com muita fé e ardor .
Voltando para minha casa, vejo um casal de mãos dadas . O desejo de ter a você perto a mim, toma conta dos meus olhos, que não se guardam em lágrimas, as pondo para fora.
Chorando como um cão perdido de seu dono, ladro pelas ruas tentando farejar o cheiro do qual me perdi . Com minha visão em preto no branco, enxergo apenas tuas pegadas que já um tanto apagadas, vão se dispersando com o passar das esquinas . Paro em um trevo sem folhas, olho para os diversos horizontes e decido enfim, deixar minha vida de memórias de lado, para por os erros cometidos em trilhos sem destino, para que meus sonhos sejam leves o bastante para se manter acima da água e pesado o bastante para se fixar ao solo .
Apenas quero ter e querer aquilo que me apetece, sem jamais ter que fazer uma lágrima alheia se desguardar de tais olhos, assim quem sabe um dia, faço das minhas lágrimas desperdiçadas, alegrias para serem contadas .

Autor: Cristian Schröder

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Dedos Teus Tão Meus


O mundo da muitas voltas, voltas que parecem que são dadas de trás para frente. Um fato passado, nos remete a uma alteração brusca de um sentimento no presente, que após ser pichado na parede branca com teu nome, se faz ausente por tempo que não sei determinar .
Corri dentro de uma roda, murchando aos poucos como pétalas de rosa, até saber onde minhas palavras e meu sorriso poderiam se afagar sem correr risco de caírem em chão argiloso .
Engraçado como reagimos ao saber que dedos conhecidos se entrelaçavam com os teus mesmos antes de saber do seu olhar.
Confesso que errei em julgar de fato palavras e atitudes. Confesso que de fato, errei em ter colocado o impulso em primeiro lugar.
Mas jamais posso deixar de te confessar, que não posso ser raiva alheia em momento de prosperidade, lamento não poder ser o sorriso teu na atualidade . O relógio indica as três, o trem vem te buscar para o sonho tranqüilo . As almas se encontram bailando no saguão dos céus, dançando uma música que não sei décor .
Minha esquizofrenia de rodar e não parar, ataca mais uma vez, mas prefiro ficar a continuar rodar . Meu medo de cair em braços teus, aflige minha garganta que cisma em gritar o teu querer, mas insiste em deixar com que o tempo me mostre quem de fato é você . A tela cristalina pela qual estamos separados, me mostra um eu teu tão pessoal, que sinto medo de querer tocar e desmanchar aquilo que construí de acordo com o tempo .
A vida não é fácil, muito mais difícil ela é, quando gostamos de alguém . O sabor da tua língua, continua estancada em outro alguém, será que devo partilhar desse sabor ? Será que devo te sentir verdadeiramente ?
Não sei, muita coisa me falta para responder, o que mais me falta, é a pitada que vem de dentro de mim, em querer ter você e em deixar você ser quem quiser ser, ao meu lado .
 
Autor: Cristian Schröder

domingo, 21 de agosto de 2011

Céu Da Meia Noite

O relógio bate mostrando que em meia noite, no céu nublado de nuvens de cor branca apagada, as únicas estrelas pelas qual me deixo guiar, são as estrelas que vejo apenas pintadas em teu eu . Um eu tão peculiar, que muito quero roubar o teu e transformá-lo em meu.
Os olhos perdidos que seguem a direção do vento, passeiam pelos mínimos detalhes que compõem meu semblante neutro de emoções . Um riso abre a porta da minha satisfação, acelerando um coração que permanecia estático por um bom tempo .
Sem ter acesso ao teu toque, manejo meu olhar como quem quisesse falar, porém, com medo de agir e não ser correspondido com uma afirmação do teu beijo, permaneço calado em minha aparente insignificância.
Leve como as roupas que vestes, as palavras me levam à um sonhar distante, que se depender de meus passos, voarão como o tempo para enfim chegar ao seu climas sem jamais chegar ao nosso fim .
Posso ser inocente em tua arte do querer, mas sei que posso muita coisa aprender se deixar-me ao teu lado seguir.
Como em histórias sem final escrito, imagino nosso início de felicidade e alegria . Paixão que ronda meu corpo, é a mesma que me matava em prantos no passado, pelo medo de achar uma alma em comum acordo com a minha . Entre, tome um chá, sente-se em minha nossa cama, deite e descanse, tenho espaço para você entre meus travesseiros . Apoio minha cabeça em teu peito entoando um canto lírico, fazendo com que a maré traga teu barco sem rumo e sem vela, de encontro ao meu Cais .
Siga as três estrelas em ti desenhadas, para em mim poder chegar . Siga de encontro a elas, que eu estou aqui, a te esperar .

Autor : Cristian Schröder