quinta-feira, 2 de julho de 2015

PELE CANELA

Na vida muito se perde,
Na vida muito se joga
Quando pouco se ganha, a felicidade é tanta, que a alegria inunda os molhados beijos que tenho para te dar.
Distancia é ser, quando se tem. Mas e quando não se tem, e mesmo assim, deseja ser ? Posso não ter as repostas para seus destinos ou até mesmo para suas felicidades. Um dia espero, e quero, que eu possa ter a dúvida de possuir o caminho, desembarcando seu coração no meu destino. Que eu possa ser o luxo ao qual você se dá. Que eu seja a janta de tua mesa, e a calma do seu coração.
Invisível é amanhã quando cego foi o ontem, e por isso, quero guiar-me ao teu lado para o incerto, para o desconhecido mundo de nós. 
Te quero. 

Autor: Cristian Schroder

sábado, 31 de janeiro de 2015

CAPÍTULO 3- O QUE É O AMOR?

“ Ana, me perdoe. Não pude ir ao seu encontro. Você me amedrontou!!  Cada vez que via o seu sorriso, eu tinha as melhores lembranças, mas também, as piores recordações de mim. Não sou o homem que imaginas, não sou quem deves amar. Já sofri muito por amor, porém, já fiz muitas pessoas sofrerem por mim. E hoje, vejo que iria te fazer sofrer também. Não estou preparado para uma mulher cujo o primeiro amor seja eu, não quero te desapontar, muito pelo contrario, mas procure ser feliz longe da ideia de um nós. Me perdoe”.

E era isso que o bilhete escrito a punho por Seu Paulo estava dizendo para Ana. Alçar voo sem olhar para trás, fazer com o seu caminho seja desviado de todos os planos que ela havia traçado de um dia para cá.

Ainda estática Ana procura entender as palavras de outra maneira, uma maneira que a fizesse desacreditar no que leu. Mas foi impossível, mais claro que essas palavras somente escutando da própria boca do Seu Paulo tais palavras. Ainda sem saber direito o que tinha acontecido, Ana se levanta e sai andando pelas ruas. Tudo parece ter perdido o sentido, perdido a lógica.

- Como isso pode acontecer? Será que errei em querer amar uma pessoa que me quis bem desde o começo? Porque eu odeio amor agora, se foi ele que me fez sorrir?

Com tantas perguntas sem respostas em sua cabeça, Ana se aproxima de um parque repleto de crianças brincando com seus amigos, e ainda com os olhos mareados de chorar, senta-se em um banco ao lado de uma senhora que estava tricotando, o que aparentemente, seria um xale.

- Boa tarde – disse a senhora

Um silêncio entre as duas aconteceu, não porque Ana não quisesse responder- tá, também por isso, mas não só por isso-, mas porque ela não havia escutado o que a senhora havia lhe dito. Mesmo sendo ignorada, a senhora persistiu e pressentiu o que estava acontecendo:

-Sabe menina, quando eu era nova acostumava a acreditar em príncipes encantados, em homens que me viessem me salvar da amargura da vida – disse rindo a senhora enquanto tricotava- Quando tinha meus vinte e tantos anos mesmo, me apaixonei perdidamente por um rapaz. Ele era lindo, alto, tinha um sorriso encantador, sabe aqueles atores de novela? Então, era um Deus para mim. Mas, não foi quem eu esperava que fosse ser para mim.

Ana então começa se mostrar interessada e pergunta a senhora:

-Desculpa, mas sem querer parecer intrometida, porém, o que aconteceu entre vocês?

- Sabe o que acontece menina? As pessoas mudam. Nada do que você imagina é. A flor espera até a primavera para mostrar a sua beleza, antes disso, seu esplendor está escondido apenas esperando o momento mais oportuno para fazer alguém sorrir. E é isso que as pessoas são. Oportunas. Elas nos laçam e nos carregam em seus sorrisos, e depois nos assopram para longe, como se nada tivesse acontecido. O amor pode ser mais traiçoeiro do que imagina minha querida, só a vida irá lhe mostrar isso.

Depois de ouvir as sábias palavras da senhora desconhecida, Ana resolve abrir seu coração em um grande monólogo:

- Sabe senhora, por muito tempo fui feliz sozinha e acreditando que a felicidade somos nós que construímos independente de possuir alguém ao nosso lado. Mas existem momentos, na maioria das vezes os mais difíceis, que nos mostram o quanto um abraço e um beijo mudariam nosso mundo. Vivi todos esses anos acreditando que o amor era pra ser conquistado na sutileza, no sorriso, até mesmo no acaso. Mas hoje recebi um atestado de que nem tudo é o que parece ser. Nem minha rotina que tanto me fazia bem, hoje me alegra. As coisas perderam a graça, a cor. Não sei se vivi esperando demais das coisas que nunca tive, ou se o mundo me trouxe mais do que precisava. Só queria entender porque essa dor me consome tanto, porque essa solidão tomou o lugar da minha alegria.

A senhora ouvindo tudo atentamente, para de costurar e lhe fala:

- Menina bonita, nem sempre o que precisamos é de respostas. As vezes nós temos as respostas e não queremos enxergar. A solidão é um estado, e não uma condição faça dela sua aliada, faça dela sua força. Ou você acha que nunca sofri na vida? Sou viúva duas vezes, já fui magoada e já magoei muita gente. São desses tropeços que nosso coração é feito, ainda mais, a nossa capacidade de amar. Erga a cabeça e não se abale seus pés vão te dizer para onde ir.

Ana reflete sobre as palavras da senhora desconhecida e se levanta. Ao se levantar e simular um passo, ela olha para trás e fala:

- Não sei seu nome, mas sinto que temos algo em comum. Obrigado senhora.


Ana então toma seu rumo de volta para sua casa. Passando batida pelos jardins, igrejas e pôr do sol. Pensando nas coisas ditas, nas suposições e expectativas criadas. Tudo ainda confuso, e ao chegar em casa, debaixo do chuveiro, Ana só tinha uma certeza, que acabou de ganhar de si mesma um lindo vestido.

Autor: Cristian Schröder

CAPÍTULO 2 - O QUE É O AMOR?

Amanheceu, e mais uma vez Ana se preparara para a mesma oração de todos os dias. 
Toma seu banho, põem sua roupa ainda amarrotada - o seu ferro de passar havia queimado e o dinheiro do mês não foi o suficiente para comprar um novo-, toma seu café com leite, e sai correndo para pegar o ônibus. Mesma manhã rotineira, menos por um detalhe, ela iria ver o Seu Paulo novamente, e dessa vez, com a certeza de que ela poderia ser Ana, não mais precisando ser a moça que cuida da casa da Dona Muriel.

No horário de sempre, o ônibus para em seu ponto e Ana sai correndo a passos largos, afinal, ela queria ser a mais bela, até mesmo entre as próprias sorveteiras para que Seu Paulo só tivesse olhos para ela. Na pressa de se enfeitar com cores, Ana pela primeira vez passa batida por suas paisagens e até quem está passando ao seu lado dá para escutar o pensamento dessa menina que só pretendia ser feliz.

Chegando ao seu trabalho, a única preocupação de Ana é de terminar tudo o mais rápido possível para poder comprar uma blusa nova com o adiantamento dado pela Dona Muriel- e claro pedido pela Ana, que havia dito que sua pobre e falecida mãezinha estava doente. Coitada!-. É hora do almoço

- Agora sim! É minha vez. –pensou Ana ao se lembrar de que a hora de ser feliz estava cada vez mais próxima.

Entre uma loja e outra no centro da cidade, Ana se via vestida em todas as roupas das vitrines. Em uma loja de marca, imaginou-se no lugar da manequim, e logo fez uma viagem até a Riviera francesa tomando um bom vinho ao lado do Monsieur Paulo. Em outra loja, viajou para a loucura de Nova Iorque tomando um café em um pequeno pub junto ao seu grande amor Paulo. Entre uma e outra vitrine, Paulo mesmo ali não estando, ali estava graças ao pensamento de Ana que o trazia até ela, seja aqui, ou seja em qualquer parte do planeta, estando com ele era o que importava para essa sonhadora mulher.

Depois de muito andar, Ana olha para o relógio e vê que o seu tempo de imaginação estava acabando, e precisaria se apressar caso ainda desejasse ser a mais bela aos olhos de alguém, ao menos uma vez na vida. Ana então escolhe um vestido branco com flores rosa, que contrastam com sua pele alva e cabelos negros. Seus olhos cor de mel, nunca estiveram tão brilhantes como nesse momento, foi ai que ela pensou:

- É esse! E que o amor me faça graça!

E logo em seguida, em voz alta falou:

- Moça, vou levar esse. Mas... Vocês aceitam cartão de crédito?
Vendo a cara de Ana, a atendente lhe deu um sorriso forçado e lhe soltou uma piada revestida de gentileza:

- Me perdoe, mas não sei seu nome, mas ca...

- Meu nome é Ana, Ana Rosa na realidade, mas, pode me chamar só de Ana. – Disse Ana interrompendo inocentemente a vendedora.

- Bom, como estava dizendo dona ANA... caso não tenha lido na porta de entrada, não trabalhamos com cartões de crédito nem com cheque. Caso não tenha dinheiro para pagar, melhor procurar um vestido que caiba em seu bolso.

Ana se sente inferiorizada, mas não derrotada. Ela lembrou que na carteira havia um dinheiro reservado para pagar um ferro de passar novo, aqueles modernos com jatos de agua e vapor que ela tanto via na televisão. Ao lembrar-se disso, saiu em disparada, pegou a carteira, e viu que ela possuía o dinheiro exato para vestido. Então ela sentou na cadeira, e olhando para a carteira pensou:

- Poxa, pela primeira vez em minha vida posso ter encontrado o amor de minha vida e não posso comprar um vestido lindo, pois, tenho que comprar um ferro de passar... Quer saber? Chega de escolhas, hoje vou viver. Viver para o amor e ser vivida por ele. Vou comprar esse vestido, o ferro que espere.

Após isso, Ana se levanta e fala em voz alta:

- Vou levar esse vestido! E olha, vou pagar em dinheiro tá? Não se preocupa não moça, sou pobre, mas sou honesta.

Com olhar de entojo, a atendente lhe sorri e fala:

- Como quiser dona Ana Rosa.

Ana nem pediu para embrulhar o vestido, já saiu com ele em seu corpo rindo a toa e cantarolando uma música qualquer de Betânia.

Meia hora se passou e lá estava Ana no lugar marcado, na hora marcada e com o sorriso de quem tivesse visto os passarinhos da Branca de Neve. Nesse momento a única coisa que Ana pensou foi se Seu Paulo iria gostar dela assim, se o vestido estava grande demais, se o cabelo estava bagunçado, se o bafo tinha passado, se o batom estava borrado, qual frase usar quando ele chegar, se a voz era feia.... Feminices agudas de uma menina mulher apaixonada.

Passam-se vinte minutos e nada do Seu Paulo aparecer, Ana então começa a se preocupar, olhar as horas no relógio e ver que seu tempo estava acabando e que precisava voltar ao trabalho antes que Dona Muriel se lembre que sua mãe faleceu há 10 anos, e não está nada doente.

- Será que agi errado em ter o chamado para tomar um sorvete? Porque ele não me procurou para dizer que não poderia vir? Será que aconteceu algo de grave com seu filho? Meu deus, será que aconteceu algo de grave com o Seu Paulo?
Todos esses pensamentos se passavam pela mente de Ana e respectivamente seu olha fixado para o nada dialogava com suas expressões a cada nova suposição. Depois de mais dez minutos pensando no impossível, a garçonete chega na mesa de Ana e fala:

- Ana Rosa é você? Tenho um bilhete que Seu Paulo mandou. Ele pediu para que você lesse e não respondesse.
Ana com cara de preocupada, abre o tal bilhete e começando a ler, seus olhos enchem de lágrimas, que aos poucos, tomam conta do seu rosto de forma involuntária.

Autor: Cristian Schröder



domingo, 7 de setembro de 2014

CAPÍTULO 1 - O QUE É O AMOR ?

Estranho ver o rosto de Ana hoje, a pobrezinha parece ter tido dor de dente à noite toda. Com olhos mareados e inchados, com o corpo mole e dolorido, ela se levanta e vai direto ao banheiro, onde o chuveiro serve de abrigo e o silêncio de reflexão.

Já são 05h15min e o ônibus já vai passar pela sua porta. Ana se apressa para poder pegar o melhor lugar e assistir ao sol, aos poucos, deixar o mar para iluminar o seu dia. Às 06h20min Ana desce em seu ponto –não tão seu, ficava há 12 quarteirões de seu trabalho, mas ela não se importa, o caminho é florido e as flores lhe fazem sorrir- para ir de encontro ao mundo. Pelo caminho as cores, as flores, os vitrais, os sorrisos... O que mais lhe fazia bem era ver a imensidão que uma pétala esconde por trás de sua majestosa forma.

Ana sorria de quase tudo. Das cores inusitadas das margaridas, das abelhas voando pelo jardim, pelos freios desesperados dos carros, e até mesmo de si. Talvez ela não seja assim tão boba, às vezes ser feliz consigo é a melhor das receitas para respirar o a imensidão do amor. A cada passo espaçado, uma nova descoberta nessa paisagem tão igual e rotineira.
Ana chega então ao seu trabalho e antes de entrar faz a sua prece de todas as manhãs à sua incontestável fé:

- Não me deixes cair, não me deixes desacreditar, pois o que flor pra ser, florescerá.

E assim ela começa o seu dia. Com o radinho a pilha ligado, Ana se imaginava nas músicas. Cantava, e dançava e assim continuava sendo feliz. Quando chegava meio dia, Ana saia correndo pelo corredor para ver o Seu Paulo passar. Paulo era apenas mais um homem comum, que trabalhava de sol a sol em busca do sustento do filho que a esposa deixou para ele cuidar antes de morrer. Paulo, um homem que traz a amargura de viver pelo amor e vê-lo morrer em seus braços, era justamente isso que Ana gostava e esperava em um homem. Paulo sabia a forma exata de como tratar Ana, e Ana amava o jeito de que ele a tratava, deixava toda sua bochecha corada de vergonha, encabulada de paixão e com mais vontade do que já tinha de ir tomar um sorvete de limão- o seu favorito- na sorveteria da esquina.

Mas Ana ainda seguia os conselhos que sua finada mãe- que Deus a tenha- lhe deu quando pequena:

- Homem é igual capim em jardim de rico, tem que podar desde o início antes que cresça e se espalhe por todo o Jardim. Filha minha nasceu para ser rainha e não rapariga na mão de lampião.

Com isso, Ana se sentia na obrigação de ter não um homem, mas um rei ao seu lado, e para ela, Seu Paulo era o rei que sua mãe tanto lhe falava.

Um dia, no mesmo horário, Ana tomou coragem e foi falar com Paulo. Tímida, sem saber o que dizer a jovem moça com seus quase 30 anos, suspirava mais do que falava ao olhar o rosto de Paulo tão perto do seu. Ela só pensava nos jardins coloridos de sua cidade, e como eles ficariam lindos deitados no meio deles, simplesmente olhando para o céu e esperando a chuva de verão molhar suas roupas. Mas quando Ana ia abrir sua boca pra chamar Seu Paulo para um café, Dona Muriel- sua patroa. Não muito boa, mas a única que suportava o jeito delicado e lento de Ana ser-, gritou da janela de casa:

- Ana minha filha, o horário do almoço terminou há 10 minutos. Vai entrar ou prefere que eu te demita para ficar mais a vontade com esse rapaz?

Ana ficou como quem acaba de levar um banho de gelo. Seu semblante mudou e seu tom de voz foi diminuindo junto ao seu olhar, que aos poucos se encontrou fixado nos pés de Paulo. Sem saber o que falar, ela apenas se desculpou e deu as costas para o então homem de sua vida. Paulo não entendeu o motivo da desculpa, e lhe lançou uma frase que Ana guarda até hoje em seu peito:

- Não se deve desculpas a quem se ama. A desculpa só pode ser oferecida quando algo precioso se quebra, e acho que você está colando aquilo que foi quebrado em mim. Boa tarde senhorita Ana, seus olhos são lindos como dois pássaros que voam pelos céus. Até logo.

Ao ouvir isso do seu rei, Ana ficou estática, paralisada, boba e sem acreditar que escutou isso daqueles lábios. Ela então entrou correndo em seu trabalho, trancou a porta do banheiro, sentou no chão e chorou. Mas o choro foi de alívio só de saber que suas preces finalmente foram ouvidas. Depois de ouvir passos no corredor em direção ao banheiro, Ana se levanta e lava o rosto, ainda sem desmanchar aquele sorriso bobo do rosto.

No final do expediente, Ana começa a andar de volta para o caminho de casa, talvez esse seja um dos piores momentos do seu dia. Voltar para seu lar sem sol, sem cores das flores e sem as abelhas por perto, tornava sua noite mais fria e sombria. Até que de repente, ela viu um homem moreno, alto, vendendo balões em forma de coração na pracinha da igreja central da cidade. De longe ela tinha impressão de que já tinha ouvido aquela voz de algum lugar, de perto, a surpresa.

Pela manhã Seu Paulo vendia pamonhas de rua em rua no centro da cidade, a noite, ele esquentava seu coração frio ajudando outros corações a se esquentarem com pequenos gestos de carinho. Para ele isso era mais do que uma caridade, era uma obrigação.

Ana então foi arregalando os olhos e o sorriso, até que chegou perto de Seu Paulo e mais uma vez, com suas bochechas rosadas ela lhe falou:

-Não imaginei que um rapaz tão grande ainda acreditasse no amor.
-Não só acredito como ainda espero revivê-lo. Você não acredita em amor dona Ana?
- Acho que sim... Na realidade nunca vivi o amor, só escuto as pessoas falarem dele. Elas gostam, mas depois odeiam esse tal amor. Porque isso Seu Paulo?
- Ana, o amor só é bom quando o coração pulsa quente e você sente esse calor quando está perto da pessoa. De resto é só apego, só vontade de ter perto pra não perder as mãos nem os freios.

Ana então olha para o céu como quem está pensando no que foi dito:

- Nossa! Como o céu está lindo. Às vezes tenho a impressão que as estrelas querem nos dizer algo. Sou louca né?
- Jamais dona Ana. Em casa eu fico na janela olhando para o céu esperando que elas me mandem respostas, me passem algum sinal. Às vezes dá certo, outras vezes durmo com esperança do Sol me guiar.

Ana então sorri e diz:

- Paulo, eu tenho que ir agora. Tenho que limpar a casa e ainda ajeitar as coisas pro meu dia de amanhã. Mas, se não for muito incomodo, gostaria de tomar um sorvete de limão na sorveteria lá da esquina do trabalho, comigo?

O silêncio pairou no diálogo, e Ana mais uma vez encabulada começou a preparar um pedido de desculpas em sua cabeça, até que Seu Paulo rompe  com um sorriso tímido o silêncio e diz:

- Sabe Ana, durante todo esse tempo esperei para poder ver você de perto. Esperei um momento certo para poder te dizer um simples “Oi”. E hoje, você é quem está me chamando para sair, onde eu que deveria ter tomado a atitude. Será mesmo que sou o homem que você imagina que sou?

Ana então gargalha ligeiramente alto e ao terminar, olha para o rosto de Paulo já sem graça por conta da risada, e lhe direciona uma cantoria:

- De nada vale a paixão sem os quereres de alguém que lhe conduz ao inusitado, ao profano. Talvez o que precisemos mesmo é de atenção, pois aos poucos a coragem nos toma. Amanhã mesmo, a coragem nos levará a tomar um sorvete de limão, e depois disso, a coragem tomará nosso rumo. Ser feliz é o que nos resta!


Rindo estava e rindo se foi. Ana finalmente conseguiu andar pelo muro sem cair e chegou em casa antes mesmo do horário de dormir. Eram novos tempos, tempos de amar e de se eternizar. Restavam dúvidas, mas isso, só no próximo despertar.

Autor: Cristian Schöder

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Monólogo III



Deixa ficar assim, tudo é bom quando se olha para o lado e percebe que a mão está dada com o eterno. Nem sempre rezamos os credos e as orações quando desejamos alcançar o milagre; às vezes ele apenas acontece, apenas aparece.

No insolúvel, a crosta reflete o riso, o brilho, o massivo e o necessário. Tudo sonhado como era de ser realizado. Engraçado como a paleta desenha as notas; como o lápis cria uma memória; como o acaso retrata e tatua a esperança.

No verde encontrei o azul. Não um simples azul, o seu azul. Paradoxalmente, encontrei o que nunca perdi, ou seja, aquilo que nem sabia da existência. De uma forma ou de outra, sou grato, apenas grato.
Grato por me olhar, por me notar, por me viver e saber ser você, nú eu.
Gratidão retomada por cada gesto colocado em mesa, servido em panelas comuns, sem garfos, apenas o seu prato. Degustar da sua beleza e deglutir da tua paixão é uma das profundidades na qual mergulhei, me afoguei e vivi. Transbordado e encharcado de tudo que lhe ronda.

Mão em coxa, olhar em boca. Tudo estalando como um remédio ao sair de sua cartela. Em minha mão, te tomo como um antibiótico, sem prescrição e sem nenhum conhecimento válido.
Nos primórdios eu quis, hoje, eu sou.

Grato, de fato, hoje e eterno... o meu muito obrigado !

Autor: Cristian Schroder

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Monólogo II

O que preciso não é de dinheiro, não é de liberdade, não é de transparência. O que preciso mesmo é de vento, pois às vezes, a vida só precisa de leveza para se tornar mais concreta aos nossos pés. Sei que falho, que ando que respiro as eternidades, mas quem disse que quero que minhas tolas palavras sejam imortais? 

Quero que a leveza as leve para longe, para onde o eco termina com a última vogal. Mas quando o som da última vogal chegar ao fim calar-me-ei para sempre! Se me calarei, minhas palavras de nada adiantam se de nada adiantam, porque insisto em ser, e não em estar?

Não, não quero mais leveza, quero mesmo é liberdade! Mas, se tenho liberdade, porque me escondo através de palavras, metonímias e metáforas compradas? Não, também não quero liberdade, eu quero mesmo é transparência! Não, ser límpido e insípido é muito chato, bom é se travestir de alegorias alheias para dar gosto em viver. Já sei, quero então dinheiro, muito dinheiro. Para que dinheiro, se não tenho bocas para agregar a ele ?

Dilema de vida. Mais complicado que passar por uma casa de chocolate e não comprar um para satisfazer meu desejo de amor interno. Está ai, já sei do que preciso. Amor! Do mais pegajoso, claro e nítido amor. Mas se um dia ele acabar? Ficarei derramando lágrimas por alguém que sorri para um outro alguém que depois derramará lágrimas por um outro alguém que sorriu para outra pessoa, e que essa pessoa de ser eu ? vitimado mais uma vez pelo amor que as lágrimas derramaram por esse riso amarelo e devastador ?

Não sei o que quero, não sei o que espero. Sei que quero viver, sem medo de morrer, de comer, de criar e respirar. Talvez essa seja graça da vida. Satisfazer seus desejos, mesmo sabendo que são eles quem te move.


Autor: Cristian Schroder

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Monólogo I

Vagarosamente o tom da música aumenta, meus passos aumentam, a cortina se abre e meu ato se inicia apenas com um olhar sob a luz que reluz meu texto já desconhecido por meus olhos. A garganta se amarra e minha boca cede... Sede da noite, sede da luz, sede de me transportar para a imensidão dos astros. Quantas luzes existem nesse ano? Quantas vias teu peito flamejado em lácteas derramadas possui?
A lágrima cai, o cenário se choca como um vagão de trem em seu trilho enferrujado. Não entoo canção, não peco pela razão. Ando devagar, sentindo a pressa possuir os meus quereres. Não mais olho para o futuro, sempre ando para trás.
O que sou? O que minha mente se tornou? Meus olhos recaem e tudo de repente fica negro. Negro como um escravo, negro como o meu pé descalço... Não enxergo um palmo à minha frente mesmo sabendo que nunca enxerguei mesmo podendo.
A tristeza me corrói, a angústia me compõe. Com letras de Buarque, meu coração verossímil se acalanta como ladrões se alegram com o luar cada vez mais tardio.
De frente ao espelho, vejo a luz do sol começando a se fragmentar pelo meu corpo. Corpo  que perdi para a lembrança maciça daquilo que era, mesmo sabendo que o passado é apenas uma questão de lembrar, não de juntar os fatos em um só. Minha roupa mentia sobre meu rosto. Meu semblante mentia sobre minha roupa. Eu não passo de uma mentira.
As cicatrizes, todas as fotos, todos esses risos e cartas de amor... Tudo não se passa de uma mentira. Mentiras as quais me lavaram a alma e regaram o meu jardim de ilusões, que sempre esperava em si, um pequeno pássaro para disseminar meus frutos por outros jardins.
Como um cigarro que encurta a cada tragada, meu desejo era de que a morte viesse à galopes, mas à galopes curtos e macios, para que minha íris se pintasse de negro aos poucos. Para que pudesse sentir meu angustiado coração, parasse de bater para sempre.
Sempre... Estado de um instante.
Instante esse que se prende na memória pelo eterno.
 A vida é tão mais bela deste lado, porque não morrer de medo? Porque esse medo de morrer?
Mas isso, só eu poderei saber.


Autor: Cristian Schröder

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Lento

Não consigo ouvir os pensamentos que me rondam, pois os teus olhos azuis ocupam todos os meus sentidos. Diminua um pouco a luz, quero ver o brilho que tua pupila lança para meu peito, que se rasga com a força desse raio que bateu em terra e fez de mim, a tua vítima.
 
No teu rosto, aquela linda e velha mensagem de amor, acalentando o que a noite uiva para o os ouvidos estranhos, me poupando rimas e metáforas, apenas sendo real naquilo que se deve fazer. Pode me dar razão ou não, mas foi ao teu lado que descobri como se compassa um coração. Coração este que bate louco, enquanto o teu rouco invade meu pequeno lar.
Cuida do meu riso, que trato de alimentar seu peito. Limpa o céu que abrigo teu carinho. Abra meu caminho, que te resumo ao meu tudo. Nas estradas te carrego pela mão, mesmo que descalços ou usando aquele velho all star azul, sei que não será estranho que eu confesse que você é a paixão que sonhei naquele dia que te acordei apenas para dizer “amo você”. Creio que nem Fräulein foi tão vollständige ao lado de teu supremo l’amour.
No fim tudo dá certo, mesmo quando tudo nunca teve porquê de estar errado. Deve ser porque você me completa, como aquele arroz que faz monte com aquele feijão.

 

Autor : Cristian Arnecke Schroder

 

 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Digo Sim

Procurei borboletas para compor o céu que nos cerca
Iluminei o horizonte com seu riso
Trancafiei meus medos
Tudo isso por amar aquilo que me permite ser feliz

Desde sempre, remei em sua jangada
Me joguei em tua morada
Disse sim

Detalhes que se dispõem, detalhes que sugerem
Momentos que eternizam
Risos que se perdem em sua própria imensidão

Dois corpos, dois corações únicos
Destinados ao mesmo
Involuntárias crianças quando juntos
Saudosos amores quando longe

Incontrolável felicidade
Não cesse, não espere, não fira

Derrame a borra
Leia a bula
Leve manual
Monte o pedestal

Daqui não saio
Aqui finco meus pés
Diante amo
De longe te remo
De perto, te amo .

 

 
Autor : Cristian Schroder


































 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Mololo


Me apaixonei pelo seu olhar de um ser romântico desnorteado de si . Sua mão, aqueceu a minha no momento que menos precisava, tornando aquele momento, mais valioso que eu poderia imaginar. Lembro do seu sorriso, se abrindo para o vento do nosso amanhecer à dois . Lembro do sua cabeça deitada em meu peito e eu acariciando seus cabelos enquanto você conversava com meu coração .
O céu começa a chover e a gente a sorrir. Seu brilho no olhar, abriu as portas da minha esperança de um dia poder novamente amar.
Esse teu riso tímido, me fez rever as flores que o inverno levou e com isso, seus aromas instigantes de amor me transportaram para nosso paralelo universo.
Em vários tons, o seus azuis me mostraram o brilho que sua morada possui, o querer que teu coração carrega ...
Irônico seria se não me entregasse ao seu jeans desbotado e sua camisa preta, naquela noite de um mês Abril qualquer.
Estranho seria se seus beijos não me instigassem à saudade, à falta ,e talvez, à tudo aquilo que estamos a construir.
Na dúvida, a certeza de que possuo você, é o que mantém vivo o açúcar desse sonho confeitado e feito sob medida para dois.
Na preguiça matinal, é o teu risonho olhar que motiva a perder ali, mais alguns vários minutos colado ao seu rosto .
E é assim, com um riso inestimável no rosto, te pergunto o tamanho do seu amor por mim, e você com um sorriso singelo de quem está a amar me responde, “ no dia que souber o tamanho do infinito eu te respondo ”.

Autor : Cristian Schröder

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Congratulações

Tudo é questão de respeitar o extinto que o peito pulsou e tratou de ensinar ao nosso cérebro a possuir, mesmo enquanto dormíamos na aula de racionalizar a paixão que surge sem querer.
Tranquei as portas, fechei algumas janelas, mas pela pia, surgia como imagem o rosto que atordoa meus dias de sol que ainda possuo.
Não satisfeito, evaporou para o céu, tornando seu rosto a marca do horizonte que hoje olho para escrever essas palavras que saem sem pensar, sem imaginar.
Por mais sensato que possa transparecer, a inquietude translada pelo corpo como um vírus que mede forças de um peito que pulsa com um cérebro que pausa. Agora, o que fazer ?
Faço o de sempre, peco pelo leviano e pago por não poder. O floral que tomo por dias, que semanas após poderão te fazer assim, pertencente por todos os dias meus que tenho, melhor se sim ao lado meu.
Deitado, margeado em meu travesseiro raso, me transporto para perto de tudo aquilo que faz concretizar o acreditar que um dia de fato pode se tornar pluralístico aos olhos e mãos que atam o futuro.
Parabéns !
 
Autor : Cristian Schroder

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Relógios

Eu posso seguir as tuas sílabas, que pouco a pouco formam as palavras as quais da tua boca pronunciarão, ao de perto, visitar esse profundo oceano de cores azul e verde a qual habitamos.

Num aconchego mútuo, no fim da procura eterna, as luzes se acendem e seu olhar se direciona ao meu rosto acanhado de vergonha que se mistura com seu perfume místico regado a mistérios desvendados.

Não podemos competir com o tempo, muito menos impedir que ele nos reúna cada vez mais rápido. Nesse vira tempo imaginário, as coisas se formam e concretizam em pouco espaço de ponteiros, que próximo a nós tudo completa e pontualmente apresenta-se ao peito.

Sem sentido algum, os trechos se fixam na memória daquilo que se vive, daquilo que sente. Juntos, completam uma harmonia sintetizada e completa de batuque e carinho.

Seja por seu peito ou pelo que sentimos, peço que siga e entre na forma eterna daquilo que se deseja, de tudo que se quer, de todo o amor que nos ronda, até nosso dia chegar, aqui cairmos sem precisar levantar e partir .



Autor : Cristian Schroder

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Musicado

Esse seu sorriso me faz crer no lindo
No íntimo de um desejo mais físico
No híbrido das alucinações momentâneas
A casca se desfaz e a pétala se transforma em meu cais.

Na solidão de propósito onde alma se encontrava
Mirei seu rosto, onde apenas o teu corpo bailava
No salão um baile se montava,
Rodas, vinhos, músicas e flores alecrim

Leito de calma, de desejo e paixões sutis
Meu peito desabrocha e você diz que não mais chora
Por viver perto de mim

Saiba que o riso aberto pelo acaso
É o passo primeiro daquilo que a curto nos cercará
De longo ao longe
Nada nos destruirá
Leites e queijos e uma boa noite para ninar!

Autor : Cristian Schröder

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Enamora

O sol nasce e seus raios te trazem para mim.
Com seu riso que ilumina a guia do meu coração, levanto com vontade de te ter cada vez mais perto de mim, num adentro mais intenso, inteiro de mim.

A rotina consome minhas solas, que mesmo sangradas da mesmice recorrente, se arrastam e se alegram ao pensar “hoje terei seu cheiro cravado em mim”.

Torço o pescoço quando a caminho de um lugar qualquer, um alguém passa com um perfumar semelhante ao seu, aumentando minha ânsia de querer pegar em suas mãos e brincar de ciranda eterna.

Hoje com o riso bobo no rosto, tenho estampado a áurea que sua compaixão gerou em meu ser. Visto sua causa, canto para sua alma... Tudo isso, apenas para te ter!
Sei que me enamoras tanto quanto eu namoro você, mas hoje eu quero saber de seus olhos:

- Fica comigo?

Se sim, me abrace apertado como aquele abraço que nos envolveu no primeiro dia de paixão.
Se não, me deixe ao menos, sentir de perto, aquele cheiro teu, que do chão me tira e alma amacia.

Autor : Cristian Schröder

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Se, Bem ...



Veja bem, se chegamos até aqui, foi graças a certeza que o incerto não nos cai, não nos apetece.

Olhe bem, se dois somos, foi porque a verdade do amor tranqüilo e sereno de cumplicidade da paixão, nos enxergou e nos remou nessa maré de costumes desiguais.

Meu bem, se as coisas remam fora de ordem, deixe com que nossos braços nos guiem para o aconchego que melhor nos suporte e que melhor nos acalente.

Bem, nem mesmo o mau da distância irá deixar com que meus olhos não enxerguem seu brilho lunar. 
Esse brilho em seu riso que acalma a alma e floresce maior paixão de anterior dia.

Se eu te der a mão regada com meu coração, aceitas ser de compaixão, a eterna reticência das minhas metáforas de amor sutil?
Apenas diga que sim, poupe-me de palavras que complicam o meu entender.

Deite e descanse!
Amanhã será  um novo dia e nossos olhos não mais irão chorar!

Autor: Cristian Schröder